Brasília,    
 

PESSIMISMO

 

Podemos afirmar que nós, os Maçons, somos a Maçonaria, mas é preciso que não nos esqueçamos de que somos, por assim dizer, a parte material da Maçonaria. Contudo, ela não se forma só dessa parte material. O que é realmente importante nela, o que tem feito com que ela resista a tantas e tão grandes perseguições é a sua outra parte, que chamaríamos de núcleo doutrinário. A grandeza da Maçonaria está na pureza do conteúdo filosófico que ela transmite aos seus filiados.

Alguém já disse, com grande sabedoria, que a Maçonaria é a ordem que surge do caos, adiantando mais que “ela é a disciplina espiritual que frutifica em paz, em harmonia, em equilíbrio justo e perfeito de todas as forças da alma”.

Nesses anos de existência, a Sublime Instituição sofreu e sofre as mais terríveis perseguições. No entanto, ela aí está firme e inabalável como um rochedo. Perseguida por reis, por ditadores, por religiões, nada conseguiu embargar-lhe os passos. Além dos perseguidores externos, ela possui dentro de seus muros quem a prejudica, que lhe faz terrível mal: os maus Maçons. Felizmente estes são em número reduzido, se comparados aos milhões de Maçons verdadeiros, existentes no mundo.

O certo é que a existência maçônica é toda de ação, de atividade, de iniciativa, de sinceridade. Aí está a razão por que seus perseguidores nada conseguem.

À medida que os anos passam na vida do Maçom, ele vai adquirindo o que chamamos de espírito maçônico. Quando falamos à medida que os anos passam, fazemo-lo conscientemente porque sabemos que o espírito maçônico não se adquire da noite para o dia. E temos certeza absoluta de que o mau Maçom jamais se enquadrará nessa filosofia. Para que se adquira o espírito maçônico, três coisas são necessárias: entusiasmo, observação constante e dedicação ao estudo.

É exatamente o que falta aos pessimistas. Tenho ouvido e, o que é pior, tenho visto em letra de forma afirmações de que a Maçonaria não irá longe, que a Maçonaria não faz nada, que os Maçons não estudam, que as reuniões são cansativas, modorrentas e... tuti quanti.

Analisemos por partes onde estão as erronias naquilo que os pessimistas afirmam:

1) A Maçonaria não irá longe. Esta afirmativa só pode partir de quem realmente não aprendeu o que seja Maçonaria. A parte que chamamos material, passa. Todos nós passaremos, todavia, seremos sempre substituídos. Quem penetrou no espírito da Arte Real sabe - tem certeza - de que enquanto houver vida na Terra, os Maçons estarão aí, firmes, buscando realizar tudo aquilo que a Maçonaria pede a cada Iniciado.

2) A Maçonaria não faz nada. Os que afirmam essa asneira, estão sempre apontando o que a Maçonaria fez em prol da liberdade dos povos. Porventura, ignoram eles que o mundo hoje é completamente diferente do que foi no passado? Esses tais ignoram que o grande trabalho do Maçom, com vistas à melhoria da humanidade, é buscar o seu aprimoramento, sobretudo moral e espiritual. Será que esses malsinadores fazem tal coisa?

3) Os Maçons não estudam. Isto aí é meia-verdade. Antigamente, o que havia era meia dúzia (talvez menos) de bons autores e, pelo menos, uma dúzia ou mais de inventores. Num crescendo admirável, foram surgindo historiadores e memorialistas notáveis, escritores de primeira água. Revistas, Jornais e Boletins foram surgindo pelo país afora. Isto significa que, em matéria de cultura, a Maçonaria brasileira parou de engatinhar, andando agora com as próprias pernas e a passos largos.

4) As reuniões são cansativas, modorrentas... Só se for para aqueles que vão para a Loja pensando em... Uma reunião maçônica nunca é cansativa para quem já adquiriu o espírito maçônico. Uma reunião maçônica é sempre de inconfundível valor. Aprende-se até, quando surge um mau exemplo, o que não se deve fazer.

O que é preciso é que tenhamos boa vontade, é que tenhamos entusiasmo, é preciso que tenhamos amor à Sublime Instituição.

Maçonaria é coisa séria. Nela não há lugar para pusilânimes, vaidosos, invejosos e para os que possuem outras “virtudes” que tais.

O desânimo aniquila, só o entusiasmo constrói. Quem afirma essa grande verdade tem 30 anos de Maçonaria e 86 de idade. Tem, portanto, o direito de dizer: nada existe que se compare à Maçonaria; feliz de quem nela entrou e aprendeu o que ela quer para cada Maçom em particular e para a humanidade em geral.

Eia pois! Vamos à luta!

 (Ir\ Raimundo Rodrigues, Or\ de São Paulo-SP - Extraído do Informativo “O Br.º de Tschoudy” nº 153, de Abr/2006)

 

 
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